SE EU PUDESSE SER OUVIDO…
14/06/2010
Por vezes somos tomados por um sentimento de impotência e incapacidade
diante de determinadas situações. O cotidiano nos trás informações boas e
ruins. Somos tomados de assalto por notícias escabrosas, políticos que
misturam o que é público com o privado, policiais corruptos (bandidos de
farda), marginais (sem farda); crianças cheirando cola, fumando crack
nas esquinas de nossas cidades...
Como pastor, minhas angústias se multiplicam por entender que a igreja
possui uma missão, um objetivo principal: cuidar dos doentes, pois os
sãos não precisam de médicos. Esse cuidar dos doentes, que Jesus disse
que era a sua missão, inclui diversas aplicações e diversos modos de ser
cumprida, sendo o principal deles o anúncio, que deve ser feito pela
igreja, de que “ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas
dores levou sobre si... ele foi ferido pelas nossas transgressões e
moído {ou quebrantado} pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a
paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is
53.4,5).
Saber disso faz a minha alma chorar, pois o fato é que há a percepção
que o Jesus profetizado por Isaías está sendo relegado a um segundo
plano, às vezes terceiro, ou quarto plano. Quantas angústias... em meio a
tudo isso (e muito mais), sinto um grito preso na garganta...
Se eu pudesse ser ouvido...
Diria aos poderosos de minha denominação que o poder corrompe. Que os
aplausos dos homens são passageiros. Que aqueles que gritaram: “Hosana!
Bendito o que vem em nome do Senhor”. Na semana seguinte gritaram:
“crucifica-o”. Que a amizade baseada em interesses, se desfaz assim que o
interesse que motivou a aproximação acabe. Que tão importante como se
começou, é como irá terminar. Tantos que começaram com fama de honestos,
são lembrados como ladrões. Começaram humildes e são lembrados como
apegados ao poder.
Se eu pudesse ser ouvido...
Diria ao Pr. Silas Malafaia que chorei quando ele anunciou que estava
deixando a CGADB. Diria a ele que me aborreci profundamente quando ele
lançou a “Bíblia de Batalha Espiritual e Vitória Financeira”. A Bíblia
não pode ser tratada como mero negócio, onde os títulos são para
impulsionar as vendas e gerar lucros. Sei que outros fazem isso, mas ele
era diferente. Diria ao digno Pastor Silas que o tempo que ele tem de
programa de televisão eu tenho de vida, cresci ouvindo e sendo
abençoando com as suas mensagens. Sendo assim, percebi a mudança de
conteúdo quando se tornou necessário o aumento de valores para custear o
aumento de horários na televisão. Diria ainda que torço para que os
planos de abertura de 1000 templos em 5 anos se concretizem, afinal de
contas somos chamados a abrir igrejas! Mas iria lembra-lo a não cair no
erro de outros tele-evangelistas que fizeram da sua figura a “cara” da
igreja, pois somos seres humanos sujeitos a falhas. Pediria que abrisse
igrejas nas zonas rurais do sertão, nos rincões da Amazônia, que
seguisse o exemplo de Paulo: anunciar a Cristo onde ainda não foi
anunciado. Pois, o que adianta abrir uma igreja em João Pessoa, por
exemplo? João Pessoa possui uma média de 700 mil habitantes e certa de
700 igrejas. Ou seja, 1 igreja para cada 1000 pessoas. Só a Assembleia
de Deus (Missão) possui 135 templos na Capital com pouco mais de 21.000
membros e cogregados, além de mais de 1000 em todo o estado. Temos ainda
a Assembleia de Deus de Madureira, entre outras denominações. Lembraria
que não somos concorrentes, não somos empresas que disputamos mercado.
Seu eu pudesse ser ouvido...
Diria aos líderes da CGADB que não se pode tapar o sol com a peneira.
Quando muitas pessoas de várias correntes começam a dizer a mesma coisa,
precisamos parar, ouvir, arrumar a casa para seguir em frente. Diria a
eles que a alternância de poder em uma convenção de conciliação é
saudável, onde cada um cumpre a sua tarefa no tempo determinado. O
Brasil é um país continental, possui diferenças regionais e cada região
pode e deve contribuir para o crescimento.
Se eu pudesse ser ouvido diria a todos os envolvidos neste imbróglio da
CGADB e CPAD com denúncias, demissões, renúncias, processos judiciais,
etc., que há um limite na paciência de Deus com estas questões. A igreja
é de Deus, nós somos mortais, o que fica de nós neste mundo (até que
Cristo venha) é a lembrança de como vivemos, de quem fomos. Como os
senhores querem ser lembrados?
Se eu pudesse ser ouvido...
Diria que a igreja de Laodicéia era rica financeiramente, abastada,
grande, imponente, achavam que estavam abafando! Mas aos olhos de Deus:
“e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”.
Eram hipócritas. Mas a eles foi reservado (na minha opinião) a maior
promessa entre as 7 igrejas: “Ao que vencer lhe concederei que se
assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu
Pai no seu trono”. Ainda há promessa.
Se eu pudesse ser ouvido...
Diria que as disputas e invejas nos igualam aos homens maus. Para os que
entram na corrida por posição e triunfo, não há vencedores, é uma
corrida perversa que no fim esmagará a nossa alma. O Reino de Deus é
diferente, o maior é o menor; a matemática de Deus é diferente, Ele
deixa noventa e nove ovelhas para buscar uma; revira toda uma casa
arrumada para encontrar uma simples drácma perdida. Os valores do Reino
são superiores, não podemos trocá-los pela moda do dia ou por um poder
temporal.
Enfim...
Diria que falo apenas em meu nome. Soltaria um grito solitário... Ou
talvez, nem tão solitário assim...
Pr. Eduardo Leandro Alves
Sec. Exec. de Missões da AD na Paraíba (João Pessoa)
eduardoleandroalves.blogspot.com